The Journalist | Capítulo 5 |

The Journalist

Piter deixa Yago entrar em sua casa, o mafioso se senta no sofá da sala.
Piter pega o tablet, mas ainda parece um pouco receoso antes de o entregar.
“Calma, calma, eu não irei o matar seja lá o que estiver escrito aí.
Ao contrário do que possa parecer ou dizer, não sou um monstro.”
Yago volta a sorrir e Piter lhe entrega o equipamento.

“Escreve muito bem jornalista, uma riqueza de detalhes sem igual.
Você é quem eu precisava encontrar e quero contratar os seus serviços.”
“Desculpe Sr. não estou disposto a trabalhar.”
Piter fica em silêncio.
Yago então o fala.
“Não está disposto a trabalhar o que?
Com dinheiro da máfia, com dinheiro que veio do tráfico, dinheiro sujo?
Qualquer outro adjetivo que quiser usar, pode.
Porque eu estou acostumado.
Mas sabe Piter, é esse seu nome né?
Pois bem Piter, todos os jornais dessa ilha recebem alguma ajuda minha,
eu tenho assinatura de todas as revistas, minhas empresas anunciam nelas.
Então não vai trabalhar nunca mais se não quiser tocar no meu dinheiro.
Você acha que ele é sujo, mas ele dá emprego pras pessoas, ajuda famílias, faz pessoas não morrerem de fome.
Eu posso na visão de muitos ser um bandido, mas meus negócios legítimos fazem o dinheiro como bem escreveu, virar um dinheiro limpo.
E sabe o que mais, meu dinheiro ajuda todo mundo por aqui, inclusive vai ajudar você.
E é por isso que eu quero que trabalhe comigo Piter,
eu tenho todos esses jornais na minha mão, qualquer um que eu fale que eu queira publicar ou não publicar uma matéria, eles fazem por temer perder meu patrocínio.
Você não.
Se eu pedir pra não publicar, você vai,
prefere perder o emprego a fazer algo que vai contra suas convicções.
Não quero que vá contra elas, só quero que escute a minha proposta.”

Piter fica em silêncio, só ouvindo, se senta no sofá de frente para Castelamare.
“Eu estou ouvindo.”
“Nós vamos criar uma grande revista.
Mídia publicada impressa semanalmente, portal digital todos os dias, serviços de Podcasts.
Vamos trazer anunciantes pra nossas páginas, todas as empresas que quiserem.
Vamos publicar temas de economia, os negócios da ilha.
Vamos falar sobre política, polícia, irregularidades,
vamos por Oglopogos no centro das atenções, como ninguém fez nesse país.
Quer fazer a diferença, eu te dou os meios e a oportunidade.”
“E se eu aceitar, o que eu tenho que fazer em troca.
Imagino que não publicar seu livro.”
“Tá brincando! Claro que vai publicar.
Não só vai, como eu vou estar do seu lado no dia de lançamento, e vamos o vender junto com a primeira edição da nossa revista.”
“Gostou do livro? Quer mesmo que seja publicado?”
“Você não tem medo e jornalista tem que ser assim Piter.
Não pode me bajular como os outros jornais, é por isso que tem que ser você.
Me perguntou o que eu quero em troca, eu quero duas coisas apenas.
A primeira é que você sempre siga seu instinto, não importa para onde ele te leve.
A segunda coisa, eu quero que investigue e descubra o que puder, sobre isso.
Seja lá o que for, publique, atinja a quem atingir, publique.”
Piter recebe umas anotações e um nome, e Yago se levanta.
“Tomei muito seu tempo e tenho que ir embora, se quiser aceitar minha proposta, me liga amanhã.
Tem meu número pessoal atrás das anotações, pesquise, veja se vale apena, se tem uma historia.”

O criminoso deixa a casa de Piter, que fica pensativo.
Ele começa a pesquisar sobre as anotações de Yago, e fica impressionado com aquilo que descobre.
Piter liga para Jenifer e pede que a noiva vá a sua casa.
Ela chega e o nota eufórico.
“Yago Castelamare esteve aqui.”
“O que, aqui? Meu Deus Piter ele vai te matar, para de ficar atrás dele, para!”
“Se acalme Jenifer, sem Histeria.
Ele não quer me matar nem me silenciar, ao contrário.
Ele quer me dar um trabalho.”
Ela fica impressionada e pergunta se Piter vai aceitar.
Ele responde que estava pensando no assunto, mas que se aceitar, ninguém jamais poderia saber.
É contraproducente ele falar de Yago, e ser empregado por ele.
Ela perguntou como ele faria para esconder isso, e Piter diz que ia pensar num jeito.
Jenifer pede que ele tome cuidado, e ele diz que iria.
Eles se despedem e a moça diz que tem que ir embora.

Na casa de Yago, ele chega.
A porta estava aberta e os objetos da sala revirados.
Ele entra e então procura por Elize, mas não há sinal dela na residência,
dois de seus seguranças estão baleados no chão do corredor, mortos.
Yago pega o celular, liga para alguém.
“Minha irmã foi levada,
algum filho da puta entrou aqui na minha casa, e destruiu tudo e levou a Elize.”