The Journalist | Capítulo 2 |

The Journalist

Piter chega em Amorin, seu editor, e mostra para ele o que descobriu.

“Eu quero saber se isso é verdade, o que há de verdade nisso aqui.

Yago Castelamare, é mafioso, ligado com os italianos, e acusado de lavagem de dinheiro, assassinatos, tráfico.

Se é verdade o que diz aqui, por qual motivo ele vem aqui e tratamos ele tão bem?”

“Caro Jornalista ainda é jovem eu sei, e tem muito o que aprender.

Mas é importante que saiba, que seu salário, mais da metade dele é pago por Yago Castelamare.

Ele é um dos principais anunciantes do jornal, as empresas dele injetam um capital violento em publicidade.

Claro que ele é mafioso, mas isso não importa lá em cima, o importante é o deles.

Pra nós, o importante é nosso salário.”

“Não, não Amorin,

não entrei no jornalismo pra isso.

Se a gente ta recebendo um dinheiro ilegal, estamos ilegais tanto quanto ele.”

“E o que vai fazer, denunciar?

Boa sorte.

Nem um jornal vai publicar isso, todos estão na carteira do Castelamare.

Além disso, sua carreira vai ser enterrada antes de você se seguir com isso adiante.

Porque sim, ele te manda matar com certeza se souber que ta pensando em denuncia-lo.”

Piter deixa a mesa de Amorin, vai para casa e fica pensativo durante todo jantar.

Jenifer percebe que o namorado está distante e pergunta o que ele tem,

ele diz que não era nada, só problemas no trabalho.

Ela diz que no primeiro dia ele já estava daquele jeito, imagine dali alguns anos.

Pede que ele relaxe e que deixe o trabalho, no trabalho, que em casa dê atenção a ela, a família.

Eles conversam e namoram um pouco, logo Jenifer vai para casa.

Mas Piter não se desliga, ele não consegue e precisa saber mais.

Para ele era errado o jornal receber de Yago, era errado não denunciar Yago.

Piter então escreve um artigo, e tenta publica-lo.

Intitulado “A sombra por trás das publicidades irregulares”

o texto fala sobre empresas de fachadas usadas por criminosos, para lavar o dinheiro obtido do tráfico de armas, drogas, pessoas, e até de mortes cometidas em nome disso.

Um vasto material é levantado por Piter, e seu artigo, é digno de uma premiação.

No dia seguinte, ele é chamado na sala do editor chefe do Jornal, ao lado de Amorin.

“Caro Piter eu li esse artigo que colocou na nossa Pauta do dia.

Quero te dizer que está de parabéns, o mundo precisa de jornalistas como você.

Que tenham coragem de falar o que precisa ser falado, sem medo.

Que não tenham nada a perder, nem a carreira, se esse negócio for publicado.

Mas apesar de ter um texto excelente tenho que lhe dizer, que aqui, não publicaremos seu artigo.”

Piter fica impressionado e ele segue.

“Com esse tipo de pensamento, não pode ser empregado de meu jornal, preciso que junte suas coisas e vá embora.”

Piter então pega as coisas na mesa, indignado.

Amorin diz a ele que o avisou que não fosse com a historia adiante.

Mesmo que ele não citasse nomes, o jornal sabia de quem ele falava, não iam se indispor com Castelamare.

“Meu avô era jornalista, e dos bons.

Ele trabalhou aqui, foi aqui e por isso que eu quis começar.

Mas, to vendo que não são mais como antes, se tornaram corruptos, tão ou mais criminosos que Castelamare.”

Piter deixa a redação, caminha nos corredores cabisbaixo, e acaba esbarrando em alguém.

Só sente o fervor de algo quente derramar sobre si quando volta seus olhos e se depara com Elize na sua frente.

“Nossa me perdoe, eu esbarrei em você sem querer.”

Fala ele para a moça, que tinha acabado de derramar um copo de café.

“Eu vou achar que está me perseguindo assim, porque ontem esbarra na minha cadeira, hoje no corredor.”

Diz ela sorrindo.

“Me desculpe mesmo, não foi intencionalmente, te juro.

Aliás essa vai ser a última vez que me vê, to indo embora.”

“Embora, mas por que?

Te demitiram por esbarrar em mim?” Sorri ela de novo.

“Não, não foi isso.

Me demitiram por causa do seu irmão.”

“Yago?

O que ele fez? Posso falar com ele e tentar reverter, me conte.”

“Melhor não fazer isso Elize, para seu bem e o meu.
Se eu ficasse aqui, eu ia publicar coisas que o jornal não quer que sejam publicadas, por isso fui cortado.”

Ele vira o corredor e vai embora mas Elize fica pensativa.

Ela desce na redação e pede para falar com Amorin.

“Aquele rapaz jovem que estava aqui, que me viu na lanchonete, sei que comentaram.

Ele acabou de ser mandado embora, como é o nome dele?”

“A sim, é o Piter.”

“Como eu o acho, quero o telefone dele.”

“Senhorita Elize, se fosse a senhorita ficaria longe de problemas e longe do Piter.

Pro seu bem, pro dele e pro do seu irmão.

Ele não é como a gente, e é uma pessoa descente até demais.”

“Rick, não to pedindo conselho to te pedindo o telefone.

Vai me dar ou peço pra outra pessoa?”

Rick Amorin pesquisa o telefone no sistema do jornal, anota num papel e entrega para a moça.

Elize saí, e volta para a lanchonete onde compra outro café.

Piter chega em casa e sua mãe lá está, pergunta ao filho o que estava fazendo aquele horário.

Ele diz que foi mandado embora.

Ela diz que não acredita.

Se senta no sofá e pede que ele faça o mesmo.

Mas seu telefone toca antes que comece a conversar, e ele atende.

“Piter é Elize.

Não terminamos nossa conversa e temos que nos ver, temos que conversar.”