A espera de UTI, morre deficiente visual em Porto Alegre

Por Alana Cury, Do Informe Franca

24/03/2021 | 6h

Morreu na noite de segunda-feira, 22 de março, aos 32 anos de idade, uma deficiente visual que esperava leito de UTI na cidade de Porto Alegre.
Anna Victoria Kendrexy, estava internada desde o dia 15 deste mês, e tentava conseguir uma vaga para UTI.
Ela estava entubada, mas não tinha uma vaga que pudesse a atender.
Victoria passou, 8 dias na emergência do hospital Conceição, na capital gaúcha.
Chegou a ser cogitada a hipótese de transferi-la para outro hospital a região, mas as vagas também eram inexistentes.

Na tarde de segunda-feira, quando completou 8 dias a espera, o nome de Victoria saltou para o final da lista de prioridades.
33 pessoas estavam esperando vagas além dela, e até 1 dia antes ela era a 16ª da fila.
A jovem não resistiu as complicações e apesar de ser saldável antes de adoecer, faleceu.

O caso de Victoria é apenas mais um, transformado em estatística em Porto Alegre.
Pessoas que esperam vagas por mais de 7 dias, estão sendo jogadas para o final da fila de prioridade por vagas em UTI na capital gaúcha.
Quem está internado por mais de 21 dias, passa a receber remédio para morte assistida.
E pessoas de 60 anos ou mais, estão sendo deixadas para morrer nas unidades.

As práticas constam em denúncia feita pelo Informe Franca, nesta semana.
Com base em relato de médicos e enfermeiros da linha de frente do Coronavírus.
A Prefeitura e o governo estadual, não confirmam nem negam que a prática vem sendo adotada nem na cidade e muito menos na rede estadual de saúde.
Assim como a rede privada, ambas estão superlotadas e sobrecarregadas com o volume de pacientes.
Alguns pacientes do RS estão, inclusive sendo transferidos para cidades de estados próximos que tenham vagas para os receber.
Uma prática incomum, porém que tem ajudado a carga do sistema.