Drama – São Paulo interna 3 pacientes a cada 2 minutos em hospitais e beira o colapso pela Covid-19

Por Guilherme Kalel, Vanessa Rezende, Nathália Mello, Lívia Tomazelli e Alana Cury, Do Informe Franca

05/03/2021 | 19h20

O estado de São Paulo tem chegado a contornos nunca antes imaginados por conta da pandemia de Covid-19.
A cada dia a situação tem piorado em todo o estado nas redes pública e particular de saúde.
Hoje, 5 de março, o Secretário Estadual da Saúde do governo João Doria, Jean Gorinchteyn, fez um apelo as pessoas.
“Fiquem em casa”, um apelo simples mas cheio de uma situação assustadora que assola.

Não é falácia da imprensa,
não é “mi, mi, mi,” como acusou o Presidente Jair Bolsonaro na quinta, 4.
É a realidade que está escancarada a quem quiser enxergar.

A cada 2 minutos, hospitais paulistas internam 3 pacientes em seus leitos de enfermaria ou de UTI.
A situação é de uma guerra e é preciso a participação e a consciência de todos para que se possa vencer, reforça o Secretário.
Muitos hospitais já atingiram sua capacidade máxima de lotação e outros estão no seu limite.
Na capital, pelo menos 4 unidades já não aceitam mais pacientes nesta sexta, segundo um levantamento do Informe Franca.
E isso não é tudo.

O Secretário da Saúde paulista disse que, o governo tem trabalhado de maneira incansável e fazendo inúmeras parcerias para atender a todas as pessoas.
O que o estado não pode permitir, é que gente morra por estar desassistida, isso não vai ocorrer em SP.
“Vamos abrir leitos até quando não tiver mais quartos,
e quando não tiver, atenderemos nos anfiteatros, nos laboratórios dos hospitais, nos corredores.
Sim, vai ter paciente nos corredores, porque temos que priorizar a vida”, desabafou o Secretário.

Ele que é médico infectologista, convocou profissionais de saúde a fazerem um esforço, e estarem na linha de frente contra o Coronavírus.
Ampliando suas participações nas forças tarefas que estão sendo montadas, para atender a população.
Na segunda-feira, 8, o hospital deve anunciar a montagem de um hospital de campanha.
Diferente do modelo adotado no ano passado de tendas, esse será feito em uma unidade privada da capital paulista.
Para que se tenham leitos de UTI para atender a quem precisa.
Jean Gorinchteyn, disse que não vai medir esforços para distribuir, cilindros de oxigênio as pessoas, para que possam respirar e serem tratadas.

O governador João Doria em uma entrevista coletiva, disse que o estado não deseja ter pacientes em corredores.
Mas é preciso que as pessoas se conscientizem.

Na noite desta sexta, minutos antes desta reportagem ser publicada, uma grande aglomeração de pessoal ocorria na Avenida Paulista.
Quase 100 pessoas se dirigiam ao local com cartazes e gritavam palavras de ordem contra quem passasse pelo local.
As pessoas eram ameaçadas se usassem máscara, e chamadas de escravas de Doria e comunistas.
Essas pessoas, são bolsonaristas que não acreditam na pandemia da Covid-19.

Parte da Equipe do Informe, passou a sexta-feira percorrendo hospitais na capital São Paulo, e em cidades do interior hoje.
O que pôde se ver, é exatamente o que descreve o Secretário.
Uma cena de guerra, um estado de caos, a calamidade pública na sua mais clara forma de manifestação.
São Paulo registrou nessa semana, 2 dias de recordes de casos e mortes, que parecem ser infelizmente, o começo de algo muito maior e mais grave que teremos de assistir.

Enquanto isso acontece, cidades no interior preferem ignorar os fatos.
Como Franca, que vai a Justiça para impedir que o decreto do governador, passe a valer para o Município.
João Doria colocou todo o estado na fase vermelha de flexibilização a quarentena.
Mas se não houver consciência de prefeitos e da população, o que muitos lugares não existe, esses esforços serão em vão.
As 3 internações por cada 2 minutos que hoje assustam, se transformarão em 3 mortes por minuto no estado.