Absurdo – Governo aceita cláusulas abusivas para firmar contrato com a Pfizer e pede exclusividade também a Janssen

Por Carolina Winter, Lívia Tomazelli e Nathália Mello, Do Informe Franca

04/03/2021 | 17h32

O governo federal do Brasil vai assinar um contrato de compra de doses da vacina da Pfizer,
depois de muitas tratativas e uma negociação emperrada no final do ano passado.
Mesmo que a empresa tenha colocado alguns itens absurdos no contrato, Bolsonaro vai ceder aos pedidos do laboratório, ainda que pareçam estranhos e sem nexo.

Os pedidos que devem constar do contrato que será assinado entre esta semana e a que vem pelo Ministério da Saúde e a farmacêutica incluem:

1 – Que o Brasil deposite um determinado valor como garantia de pagamento em uma conta no exterior, antes de receber as doses prometidas da vacina.
2 – Que qualquer entrave do contrato ou eventual ação judicial seja julgada em Nova York, e não pelos tribunais brasileiros.
3 – Que o Brasil assuma responsabilidades por quaisquer efeitos adversos da vacina, e não responsabilize a Pfizer.

Os itens foram considerados abusivos e sem uma explicação convincente para que fossem aceitos.
Não há indicativo de que essas exigências tenham sido pedidas a nem um outro país, que assinou contratos com a Pfizer.
Mesmo assim e com muito a se explicar, o governo brasileiro aceitou e fez mais.
Pediu exclusividade ao laboratório para que não venda nem uma outra empresa ou governo, quer seja municipal ou estadual do Brasil.
As tratativas seriam feitas diretamente com o Ministério da Saúde.
As doses começariam a chegar no Brasil até o final do primeiro semestre de 2021, e seriam entregues em frações até o final do ano.

Outra empresa que o governo federal tenta abocanhar, é a Janssen.
O Ministério da Saúde deseja adquirir doses da vacina, e pede exclusividade.
Isso porque outros governadores já foram atrás, para tentar a vacina.

A disputa política que se transformou a vacinação no Brasil, colocou cargos e governos acima da vida humana.
Por isso gerou esse impasse descomunal e desconfortável na corrida pelos imunizantes.
Nem um outro país do mundo, tem governos federal, estaduais e municipais, disputando a unha as vacinas deste modo.
E nem um outro governo tem os números tão alarmantes quanto os do Brasil, que continuam a ignorar.

Colaborou Hellen Manning – De Nova York