Opinião – Não bastam leitos se não há consciência

Por Guilherme Kalel

Informe Franca – 16/08/2020 | 11h55

A cidade de Franca vive uma curva crescente de casos de Covid-19.
São mais de 2500 pessoas infectadas em um número que só cresce, e 54 mortes registradas.
Franca já realizou, mais de 12 mil testes para detectar ou não, o novo Coronavírus em pacientes com sintomas.
Nem todos, estão prontos e muitos levam mais de 15 dias para se saber o resultado.
O vírus, sobrevive no organismo de 15 a 25 dias, segundo os especialistas.

A cidade enfrenta uma série de problemas.
Um dos principais, falta de leitos para internar pacientes graves.
A rede pública de saúde só tem um hospital referência,
que está superlotado.
O jeito foi começar a exportar pacientes para cidades da região.
Que já tem os próprios casos e também estão lotadas.
De modo que, muita gente mesmo que precise não encontra a vaga, especialmente em UTI adulto.

A Prefeitura de Franca, tenta de diferentes formas contornar a situação.
Comprou leitos, pediu respiradores ao estado, recebeu alguns.
Que inclusive vão permitir a abertura de novas Unidades de Terapia Intensiva em Franca.

Contudo, esses números não são motivo para se comemorar.
Receber novos leitos e aparelhos de respiração, são coisas positivas em meio a crise que atravessa o Município.
Mas não é suficiente, nunca será.
Alguns, defenderam nas redes sociais que o problema de Franca havia acabado, com a chegada desses novos equipamentos e a abertura de novos leitos na rede pública.
Mas o problema é muito maior que leitos, o que as pessoas parecem não ter entendido.

Franca, que está na fase vermelha de flexibilização da quarentena, só sairá desta fase quando de verdade mais que leitos mas sim consciência, passar a existir.
As pessoas precisam compreender que por mais que a situação seja difícil,
fase vermelha significa que os serviços abertos são apenas os essenciais.
Lojas não poderiam funcionar,
igrejas não deveriam estar abertas ainda que recebendo 30 ou 20, ou 1% que fosse de sua capacidade.
Mesmo com máscaras e afins, a aglomeração de pessoas não é recomendada.
De mesmo modo, jogos de futebol, ou qualquer outro esporte neste momento, deveria estar na mente das pessoas, estão proibidos.

Perdemos muitas vidas na cidade, mais ainda no Brasil.
São mais de 107 mil mortes,
não é uma gripezinha.
A Covid-19 é séria, ela mata, e não faz distinção de quem.
Para muitos, parece invenção da imprensa golpista.
Hora de esquerda ou de direita demais.
Infelizmente não é.
A realidade que se impõe, é verdadeira e todos os dias, escancarada nos jornais, quaisquer que sejam.
No Informe Franca não seria diferente.

Nosso Instituto de Projetos Sociais, que atendia 370 pessoas com problemas de saúde,
hoje tem 240 atendidos.
Isso porque, do número total citado acima, 118 pessoas perderam suas vidas.
São pacientes oncológicos, cardiopatas, pessoas com HPN.
Que tiveram de enfrentar a doença e não sobreviveram, se transformando em triste estatística.

De mesmo modo que ocorre em Franca, com aqueles que são infectados ou levados pela Covid-19.
Para a maior parte das pessoas, que não conscientizaram-se ainda do problema, são números, nada mais.
Para quem contraiu ou perdeu alguém que contraiu a doença,
ficam a dor, a indignação.
Com a falta de consciência das pessoas e de despreparo de nossos governantes, em reconhecer a nossa calamidade.