Carga que ocasionou explosão em Beirute veio de navio russo e estava armazenada de maneira irregular

Por Guilherme Kalel e Mariana Monary

Informe Franca – 06/08/2020 | 7h

O Mundo ainda conta os números da tragédia ocorrida em Beirute, no Líbano, na última terça-feira, 4 de agosto.
Quando um armazém do Porto Local explodiu, contendo ao menos 2750 toneladas de Nitrato de Amônia em seu interior.
A substância é altamente inflamável e usada como fertilizante ou na fabricação de explosivos.
A explosão e seus impactos, devastaram a capital libanesa, e deixaram um saldo de 135 mortos e contando, e mais de 5 mil feridos.
Os números ainda vão mudar, porque equipes de resgate trabalham em meio aos escombros e existe uma lista, com centenas de desaparecidos.

A explosão está sendo investigada pelas autoridades, e o governo prometeu uma resposta inicial em até 5 dias para o fato.
Nesta quarta-feira, 5, o governo do Líbano impôs prisão domiciliar a trabalhadores do Porto, que seriam responsáveis pela fiscalização no local.
Não foi informado, quantas pessoas de fato foram postas nessa situação.

Mas, documentos obtidos pela Imprensa internacional e publicados nesses últimos 2 dias, revelam que as autoridades libanesas já sabiam do material perigoso armazenado irregularmente no Porto.
Desde 2014 pelo menos, a Amônia estava no armazém.
Membros do Porto chegaram a enviar, 6 cartas para a Justiça e o governo libanês, informando da gravidade da situação.

Tudo começa quando em 2014, um navio russo é apreendido no Porto com uma carga de 2750 toneladas de Nitrato de Amônia,
o produto iria para Moçambique, mas nunca chegou a seu destino.
No Líbano ele foi interceptado, por problemas entre o comandante e a tripulação do navio.
No mar há 11 meses desde que saíram de casa, o navio e seus integrantes sofriam com falta de recursos financeiros.
Russos e ucranianos que faziam parte da tripulação, foram repatriados com a ajuda do governo quando o navio foi preso sem condições de seguir viagem.
O material de seu interior, foi estocado num armazém do Porto.

Nunca mais o material foi mexido desde então.
Os documentos obtidos mostram que, a Justiça se envolveu no processo determinando a prisão da carga no Porto,
e que ninguém jamais reclamou o produto ou foi busca-lo.
Pelo menos 6 cartas, foram endereçadas as autoridades libanesas por parte de chefes e outros membros do Porto.
Mas, nem uma delas obteve resposta.

Nos documentos, era pedido que o material fosse retirado ou então vendido, para ser armazenado em local apropriado.
Mas, o processo se arrastou por 6 anos, sem que nada ocorresse.

Nesta quarta-feira, a administração do Porto informou, que técnicos foram enviados ao armazém na terça-feira, horas antes da explosão.
Eles chegaram a consertar uma porta com defeito no local, e depois saíram.
Não é possível ainda se dizer, o que teria provocado a combustão no material.
Mas especialistas explicam que, apesar de estar armazenado irregularmente, a Amônia não explode sozinha.

O produto precisaria ter entrado em contato com alguma outra coisa, ou um fator externo teria que desencadear ações que resultassem na explosão.
Agora é esperado que se esclareça, o que de fato houve.