Relator da Lava Jato cancela compartilhamento de dados entre Força Tarefa e PGR

Por Ester Marini

Informe Franca – Brasília 03/08/2020 | 18h22

O Relator da Lava Jato no STF, Ministro Edson Fachin, cassou uma liminar proferida pelo Ministro Dias Toffoli, durante o recesso do judiciário em julho,
e que determinava o compartilhamento dos dados, entre as Forças Tarefa da operação em São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro, com a Procuradoria-Geral.
De acordo com a nova decisão, os dados não podem ser acessados pela PGR, ou qualquer outra informação da operação que não seja de competência da área.
O Procurador-Geral, Algusto Aras, travou um embate com os demais procuradores da Lava Jato, reforçando que há uma caixa preta de dados que deveria ser compartilhada.
Ele acusa os promotores, especialmente de Curitiba, de investigar pessoas com foro privilegiado.
As acusações partem de investigações contra o Presidente da Câmara Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre.
Os procuradores negam que tenham havido qualquer investigação, e que eles foram citados em delações mas não investigados, após terem posse das informações.

A liminar derrubada hoje, é só mais um retrato da queda de braço entre poderes, que a operação se transformou.
O Procurador-Geral, deve acabar com as Forças Tarefa que apuram crimes da Lava Jato desde 2014, e que se concentraram nos 3 estados do país.
Isso deve acontecer em setembro, quando Aras deve anunciar um novo rumo para a operação.
Para ele, é hora de todo o Ministério Público se envolver, e desmantelar quadrilhas locais que atuam para desvio de recursos públicos.
Mas, o Ministério Público não pode se atentar, somente nos desdobramentos dessa operação.

A liminar cassada de hoje, também demonstra um outro sentimento dentro do próprio STF.
A divergência entre Ministros, do jeito como as investigações e processos são conduzidos nos tribunais e no próprio STF.