Exclusivo – Com uso indevido de empresas verdadeiras, financeiras fraudulentas induzem clientes a cair no golpe do falso empréstimo

Por Guilherme Kalel e Mariana Novacki

Informe Franca – 14/07/2020 | 9h

Todos os dias pessoas desesperadas precisam socorrer suas contas,
quitar débitos ou pagar por medicamentos e serviços emergenciais de saúde que não estavam nos seus Orçamentos.
O problema é que, nem sempre existe uma reserva de dinheiro para que possam recorrer ou quem empreste determinados valores da família.
Quem pode, recorre a empréstimos consignados com desconto em folha de pagamento,
ou a créditos pessoais de bancos.

Uma modalidade que existe desde sempre, e que parece não ter caído em desuso, é a procura por crédito pessoal Online.
São pessoas que buscam encontrar um empréstimo sem sair de casa, e com taxas baixas de juros, sem burocracia.
A maior parte daqueles que procuram por este tipo de financiamento, são pessoas que estão negativadas e que por isso, não tem acesso ao crédito nas grandes instituições
financeiras.
E muitas das vezes o empréstimo, pode até servir para quitar essas dívidas.
O desespero começa a partir daí.
As pessoas procuram na internet e encontram aos montes, sites que prometem empréstimo Online facilitado.
Não é preciso muito, apenas uma pesquisa de 5 minutos no Google e são mais de 50 sites que aparecem.
Mas, a maior parte desses sites são registrados nos nomes de pessoas similares.
Quando uma mesma pessoa, tem diversos domínios em seu nome.
Mais fácil de aplicar um golpe e ludibriar, os possíveis clientes.

Quando o cliente entra em contato, via Whatsapp ou preenchendo ficha cadastral no Site visitado, a financeira logo se apresenta.
Uma pessoa bem educada e que fala fluente, dando as indicações de como o empréstimo funciona.
A pessoa pode pagar em longas parcelas com taxas de juros atrativas, e se vê na condição perfeita de assinar o contrato.
Neste caso a financeira, pede a documentação do cliente e o encaminha um contrato.
Ele assina, e pode envia-lo via Correios ou através de uma foto com a assinatura no Whatsapp.
As duas modalidades foram feitas pela Reportagem do Informe Franca como testes, para esta matéria.
Nos dois casos os pontos em comum são que quando o contrato chega na financeira, uma resposta chega ao cliente.
O dinheiro foi liberado mas não pode ser creditado, porque o cliente tem o CPF negativado.
Para que a empresa não fique no prejuízo, o cliente precisa apresentar duas alternativas de escolha.
Dois fiadores com casas registradas em seu nome, o que quase ninguém tem para apresentar.
Ou contratar um seguro de operação de créditos.

A partir daí, o golpe vem se modernizando a cada dia mais.
Pois, as financeiras fraudulentas vem se usando do nome de marcas verdadeiras para dar autenticidade ao que falam.
Porto Seguro, Itaú ou BV, são algumas das empresas que aparecem no rol das fiadoras,
que ficariam responsáveis por contratar o seguro do cliente e honrar com as parcelas, se ele não pagar.
Para contratar o seguro, é necessário que o cliente disponha de um valor que depois lhe será reembolsado, contam, através dos descontos em parcelas.
Os valores cobrados podem ser de 5 até 10%, do empréstimo pretendido.

Foram feitas 3 simulações pelo Informe Franca, na elaboração desta reportagem exclusiva.
R$ 5000,00 com aporte de contratação de R$ 249,90.
R$ 10000,00 com aporte de contratação de R$ 559,90.
R$ 3500,00 com aporte de R$ 350,00.

As simulações foram feitas pelos Jornalistas do Portal, com dados verdadeiros, se passando por clientes, em 3 diferentes financeiras de 3 diferentes sites localizados nas
pesquisas feitas pela internet.
E em todas as 3, houve a constatação da Fraude.

O Informe Franca chegou a pagar uma delas, no valor de R$ 350,00, na segunda-feira, 13 de julho.
Com a função de contratar o seguro e ter o valor liberado na terça-feira, 14, o que não aconteceu.
Neste caso, a financeira em específico disse a Reportagem, que os valores não foram liberados pois havia um problema com a documentação.
Para corrigir os erros seria necessário que o cliente assinasse novo contrato, e que contratasse um novo seguro.
O que obviamente não foi feito.

Mesmo que o Banco Central alerte, e as grandes financeiras também,
o desespero pelo crédito tem feito com que cada vez mais pessoas originem participação nesses golpes.
A Reportagem do Informe Franca iniciou esta matéria, depois de receber pelo menos 60 denúncias de sites diferentes,
que estariam enganando ativamente os clientes.
Sites que tem registros em São Paulo, Porto Alegre e Campinas.

Depois de constatar os golpes aplicados em seus clientes, a Reportagem do Informe Franca se revelou, como Jornalistas que realizariam a matéria.
Dos sites investigados, 2 bloquearam os contatos telefônicos do Informe Franca.
Um 3º, simplesmente deixou de responder os contatos e apenas visualizava as mensagens.

De acordo com o Ministério Público de São Paulo, todos os dias pessoas registram boletins de ocorrência contra financeiras fraudulentas que recolhem valores indevidos dos
clientes.
Que podem ser processadas por estelionato.
Isso, quando o pagamento é concretizado e a pessoa não recebe o dinheiro como acordado.
O problema é que, a maior parte dessas financeiras se esconde por trás de CNPJ de empresas verdadeiras, ou usam dados falsos como endereços.
Mudam de telefone todas as semanas, e usam contas laranja para receber os valores depositados.
O que dificulta o trabalho de investigação, mas não o torna impossível, declara a Procuradora Laura Mello.
Segundo ela, cada caso que chega as mãos do Ministério Público, é cuidadosamente estudado, e dezenas de condenações já foram conseguidas na esfera criminal, por causa desse
tipo de golpe.
Um processo longo mas que trás resultados.

O grande X da questão, é conscientizar as pessoas sobre esses empréstimos, explica o Procon SP.
As pessoas tem que saber que bancos, não pedem pagamento antecipado de parcelas,
não oferecem seguros que precisam contratar antes do empréstimo cair na conta, tudo isso é proibido por lei.
Com esses dados, fica mais fácil evitar as fraudes que estão aos moldes diferentes e aos montes, na Web.
Hoje, não é preciso muito para se criar um site, e este tipo de golpe acaba sendo lucrativo.

A Advogada Sofia Monary explica, que todos os clientes que forem lesados por esse tipo de golpe, podem registrar um Boletim de Ocorrência.
Quando há os pagamentos a pessoa é investigada por estelionato, e quando há apenas registro de um contrato assinado, o boletim deve ser para preservação de direitos.
O risco é que, esses estelionatários usem os dados do cliente para conseguir abrir novos sites ou até empresas, ampliando seu leque de fraudes e atuações.