Opinião – Guilherme Kalel, diante as dificuldades, Raridade que desiste não porque é inquebrável

Por Carolina Winter, Ester Marini, Isabella Peroni, Lara Weterman, Lívia Tomazelli e Mariana Monary e Nathália Valle

Informe Franca – 07/07/2020 | 10h05

É muito difícil para falar de uma pessoa que você convive há muito tempo.
Ainda que seja uma convivência virtual.
Quando se trata de alguém como Guilherme Kalel, é mais difícil ainda.
Muitos não entendem por qual motivo, hoje o Informe Franca está em festa.
Afinal é só mais uma pessoa entre bilhões no planeta, relembrando a data que iniciou a profissão que escolheu a exercer por toda a vida.
13 anos se passaram e destes, há muita historia a se contar.
E não, Guilherme Kalel, não é qualquer pessoa.
Por isso que hoje, o Portal parou, para o homenagear, como ele merece.

A primeira coisa sobre ele que vocês tem que saber, é que é a pessoa mais forte e fantástica que alguém pode conhecer.
Kalel, não se abala fácil e mesmo quando está abalado, tem uma capacidade incrível, ou descomunal até, de se superar.
É ele que muitas vezes coloca as pessoas pra cima, quando seriam elas que deveriam fazer isso por ele.
Deficiente visual desde que nasceu por um erro de formação genética,
se engana quem pensa que isso seria motivo pra impedi-lo de fazer qualquer coisa.

Com 16 anos de idade, Guilherme já sabia o que queria fazer, ser Jornalista.
Inaugurou o seu primeiro site para que abrisse as portas a esta carreira, que trilha até hoje.
Havia vencido um concurso de poesias para deficientes visuais, comprado um computador com o dinheiro do prêmio.
Escrevia já naquela época, livros que prendiam a atenção de seu leitor, e como prendiam.
Historias cheias de nuances, ações romance, bem as marcas que carrega até hoje, 13 anos depois.
Só que não era apenas isso tinha mais.
Ele era programador HTML, tinha curso de montagem e manutenção de computadores.
Mas, é o Jornalismo que prevalece, que sempre prevaleceu.
Guilherme tinha e ainda tem, o dom da palavra.
Quem convive com ele sabe, e conhece o peso e a força que ela tem.

Sua palavra, já foi capaz de devolver uma bebê para os braços da mãe, após ter sido sequestrada.
E hoje a criança cresceu e tem 11 anos de idade.
Sua palavra, já foi capaz de fazer pessoas se mobilizarem na busca por doadores de medula óssea, para uma criança de 10 anos.
Hoje, ele tem 16 e está vivo graças a essa ação.
Suas palavras, foram capazes de fazer pessoas perceberem futilidades e se transformarem.
Através das palestras do Olhar Sem Fronteiras, que ministra desde 2012.
E essas palavras, explicam aos outros um pouco mais sobre o que é ser deficiente visual, e como lhe dar com eles no dia dia.
Invisuais não são coitadinhos, não querem que ninguém passem a mão nas suas cabeças.
Só precisam de respeito e de espaço, para que possam mostrar suas capacidades.
Guilherme Kalel, fez mais do que isso.

Ele sonhou trabalhou e realizou.
Construiu uma família, foi pai.
E antes que muitos perguntem seus filhos, todos eles não são normais.
Eles tem entrada para USB, tocam cartão de memória, pendrive e tem um cérebro do tamanho de um SSD de 1 Tera e tão veloz quanto.
Brincadeiras a parte, crianças que enxergam mas que herdaram do pai, a sensibilidade, o ato de se importar com as pessoas e de se compadecer diante ao sofrimento delas.

Guilherme Kalel é cardiopata, paciente de HPN.
Necessita de tomar uma das medicações mais caras do mundo para se tratar, a Sorilis.
Fez campanha pra arrecadar o remédio, e hoje, consegue toma-lo porque parte de tudo que é arrecadado pelo Informe Franca, entra no Instituto Melissa Elisa de Projetos Sociais,
que ele criou.
E o Instituto, compra o remédio não apenas a ele, mas para outros pacientes.
Que assim como ele recebem tratamento de primeira linha e a medicação necessária não por luxo, mas por questão de sobrevivência e humanidade.
O Jornalista poderia ignorar os fatos, poderia ter seus remédios e deixar os outros pra lá.
Mas ele não é assim.
O que tem, divide com o próximo, entra na vida das pessoas pra muda-las.
Quer conhecer as historias e saber, o que pode fazer para mudar, aquelas mais sofridas.
Sofre com historias marcantes e comoventes, porque é gente como a gente.
Mas com um coração muito mais evoluído e uma mente superdotada.
Trabalha, de maneira incansável.
Todos os dias não importa o quanto dor física esteja sentindo pelos seus problemas de saúde, ou que o mal-estar esteja a ponto de impedi-lo de se sentar para digitar.
Lá está ele, de domingo a domingo, quase nunca tem folga, não gosta de ficar sem trabalhar.
Mesmo quando é afastado uns dias pelos médicos, contradiz as ordens e segue.
Guilherme Kalel é assim, como poucos, como quase ninguém.
Tem uma força inimaginável dentro de si, que mostra sempre o caminho de recomeçar.
É Raridade, que reflete um espelho de uma fé inabalável.
Diante aos obstáculos, aos ataques que enfrenta por causa da profissão, não estremece.
Fica mais forte, Guilherme Kalel desiste não, porque é inquebrável!

Colaboraram Kate Hauen, Vithoria Alonso e Ana Clara Bueno