Exclusivo – Banco ludibria clientes para impedir portabilidade de consignados

Por Guilherme Kalel, Mariana Monary e Carolina Winter

Informe Franca – 10/06/2020 | 7h

Um banco especializado em realizar empréstimos consignados para aposentados, pensionistas do INSS e servidores públicos de todas as esferas,
tem provocado é muita dor de cabeça para seus clientes.
São diversas reclamações feitas na internet, e que chegaram ao conhecimento do Informe Franca.
Ao longo dos últimos 15 dias, o Portal fez um levantamento completo sobre a atuação da instituição financeira.

Os clientes que tentam refinanciar contratos ou portar suas parcelas a outra instituição, são ludibriados e enganadas pelo banco.
O que tem provocado transtorno e revolta.
A instituição financeira, entra em contato com clientes ao solicitarem portabilidade a um outro banco, tentando força-los a cancelar o pedido.
Para que possam conseguir sucesso, oferecem valores maior do que os ofertados pelo banco concorrente.
Se o contrato é de R$ 2000,00 o banco oferece R$ 5000,00 para o cliente com uma taxa de juros de 1,20% ao mês.
O valor mais alto do contrato e a taxa mais baixa de juros, é um atrativo.
O cliente então cancela o contrato com a outra instituição para refinanciar o contrato com o banco que já possuía o crédito contratado.
Aí, se inicia o calvário.

O banco mediante a uma série de desculpas, enrola o cliente e não faz a liberação do dinheiro prometido.
Aliás, se quer envia o contrato para o INSS para a averbação e aprovação.
Alegando posteriormente que o dinheiro não foi liberado, porque o INSS não aprovou.
Quem tem menos conhecimento na área, no caso de pessoas idosas, maior parte que contraí um consignado, acaba frustrado e sem dinheiro.

Outra prática comum do banco, é enganar os clientes se fazendo passar pelo novo banco da portabilidade.
Confirmando dados e alegando ao cliente que ele pode ter um valor maior liberado, se aceitar.
Nessa conversa, o banco convence o cliente a assinar um contrato digital clicando num link, recebido por SMS.
Ao fazer isso, o cliente cancela a portabilidade sem saber e o banco não envia o saldo ao concorrente.
O saldo fica retido com a instituição, e posteriormente a pessoa não recebe dinheiro algum porque nem um contrato é refinanciado.

Para comprovar a veracidade das denúncias, o Informe Franca orientou clientes que haviam passado pelo transtorno, que tentassem mais uma vez refinanciar os contratos ou fazer portabilidades com o banco.
Mas nem uma das tentativas realizadas obtiveram sucesso, como esperado, confirmando as denúncias.
Os clientes gravaram as conversas, por orientação do Departamento Jurídico do Portal, e foram orientados sob como proceder no contato com o banco.

Diante as não liberações, o banco foi questionado por quais razões os valores não puderam ser liberados.
E disse ser em razão de não aprovação do INSS.
Com as informações de que o órgão nunca havia recebido contrato algum, portanto nunca negou averbações para refinanciamentos ou portabilidades, o banco voltou a ser questionado.
Foram, 3 desculpas diferentes, sem nexos, dadas no caso.
E no final o dinheiro acabou mesmo não sendo liberado.

Com as conversas com o banco gravadas, e diante a prática persistente de enganar clientes,
uma representação contra a instituição, será feita no Ministério Público e outra no banco central.
A Advogada Letícia Veiga explica, que o banco teve uma quebra de contrato ao não cumprir o prometido e assinado pelo cliente ainda que de forma digital.
Por isso o banco pode ser multado.
Outro problema, é que não é em apenas um ou dois clientes que a questão acontece.
O Informe Franca fez um levantamento completo, e nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Distrito Federal, encontrou ao menos 150 clientes que tiveram dor de cabeça com o Cetelém. E as financeiras que representam o banco.
Todos segundo Letícia, podem ser arrolados neste processo que agora será montado contra a instituição financeira.
“O banco e a empresa representante do mesmo que contacta as pessoas pelo telefone, os engana para não terem acesso a portabilidade e depois, os deixa sem o recurso, podem responder ao processo”, explica a Advogada.

Uma ação contra a instituição, tem mais peso se for coletiva, diversos clientes processando ao mesmo tempo.
Por isso o levantamento, compartilhou com os clientes as historias dos ludibriados.

O Informe Franca enquanto Portal, tentou contato com o Cetelém, banco acusado das práticas ilegais.
Mas não teve o contato respondido, até a publicação desta reportagem.