Opinião – Promíscua relação de Bolsonaro com seu denunciante ou não, Algusto Aras

Informe Franca – 29/05/2020 | 13h

O Presidente Jair Bolsonaro, tem mantido uma relação muito próxima com o Procurador-Geral da República, Algusto Aras.
Aliás, tal relação é a mais próxima entre um Presidente e um PGR, da Historia recente do Brasil.
Vamos começar relembrando, como isso tudo começou.

Aras, foi nomeado para o cargo no ano passado pelo Presidente.
Mas, ele não apareceu como indicado pelos Procuradores na lista tríplice que geralmente apresentam, em uma votação entre candidatos da Associação do Ministério Público
Federal.
Era comum, que um dos indicados da lista fosse escolhido pelo Presidente, isso desde o governo FHC.
Mas Bolsonaro quebrou tal tradição ao escolher alguém de fora.

Algusto Aras veio pelas beiradas, e alinhado com o discurso do Presidente, acabou nomeado.
Passou por sabatina e foi aprovado pelo Senado Federal, sendo alçado ao cargo, que fica por pelo menos 2 anos.
Desde que ele foi eleito e tomou posse, muitas coisas aconteceram.
A Procuradoria-Geral, passou a se alinhar mais a posicionamentos do governo e poucas foram as vezes que o Procurador se opôs a uma vontade do Presidente.
Isso ficou mais evidente de maneira recente, no final de abril.
Quando Sérgio Moro deixou seu cargo de Ministro do governo, levantou sérias acusações contra o Presidente da República.
Bolsonaro que já vinha sendo observado pelo STF, foi acusado de interferir na Polícia Federal, para tentar proteger sua família e aliados.
Obstruindo a polícia e a Justiça, em investigações que poderiam prejudica-los.

Algusto Aras, precisava decidir se iria ou não denunciar o Presidente diante as acusações apresentadas.
E o que fez, foi pedir que o STF autorizasse um inquérito.
Além de Bolsonaro, Aras queria investigar Moro, para saber se o ex-ministro disse a verdade do ex-chefe.
Se ele entendesse ser mentira o que Moro revelou, o ex-juiz e ex-ministro, poderia ser denunciado pelo crime de denunciação caluniosa.
O STF autorizou a abertura do inquérito que ficou sob relatoria do Ministro Celso de Mello, decano da Corte.

Algusto Aras se posicionou contra, a divulgação de uma reunião ministerial ocorrida em 22 de abril.
Onde era dito que haviam provas do que disse Moro.
Mello, levantou o sigilo de quase todo o vídeo da reunião interministerial.
Agora diante as revelações, Aras vai ter que decidir de novo, se ele vai ou não denunciar o Presidente.

A relação promíscua e obscura entre ambos, inicia-se a partir daí.
Bolsonaro sem ser convidado, esteve na Procuradoria na terça-feira, 26 de maio.
No dia seguinte, uma operação da Polícia Federal, deflagrada no âmbito do inquérito das Fakke News comandado pelo Supremo, aconteceu.
Aras mudou o posicionamento da Procuradoria sobre o inquérito antes defendido, e agora, pedido que fosse anulado pelo Procurador.

Em 29 de maio, Bolsonaro então apresentou mais dois indícios dessa relação estranha.
Primeiro disse, que em se abrindo uma terceira vaga para o STF, caso abra, Aras poderia ser um forte candidato a preenchê-la.
O que na opinião de juristas seria um crime cometido pelo Presidente.
Nunca, ele poderia anunciar que pretende indicar alguém que poderia denuncia-lo, a um cargo no STF.
Sob risco, da análise de Aras ser prejudicada pelo interesse por trás, de ambos.

Desde o começo, essa relação está errada.
E fica ainda pior.
Nesta sexta-feira, o Procurador-Geral, foi indicado para receber uma das maiores honrarias da Marinha do Brasil.
Por excelentes serviços prestados a Pátria.
De novo, Bolsonaro trocando interesses de ambas as partes, em vantagens obscuras.

Nada explica essa relação, onde o Presidente, troca favores com o PGR.
Nesse sentido, as autoridades maiores do país precisam se posicionar.
Se Aras não é mais isento, não poderia analisar processos que envolvam o Presidente da República.
Ambos, cometem crimes de responsabilidade nos cargos ocupados,
ambos precisam se afastar, pelo bem da democracia.
Ou estaria este raciocínio errado de ser pensado neste modo?