Opinião – O isolamento social e a missão de ensinarmos nossas crianças

Por Dra. Veronica Werner

Informe Franca – 21/05/2020 | 7h

Conteúdo Publicitário:
Santander O que a gente pode fazer por você hoje.

Neste período de isolamento social estamos nos vendo obrigados a fazer inúmeras mudanças na nossa rotina,
é estressante e não poderia ser diferente, ficar em casa sem poder sair, sem arrumar as crianças para a escola, e nos condenar a um confinamento compulsório.
Nesses momentos que, precisamos atentamente prestar mais atenção no nosso redor,
será comum, que nós fiquemos mais deprimidos e que esse sentimento afete também a quem está ao nosso redor.
O isolamento, não afeta apenas a nós, cuidadoras de casa, do lar e da família.
Mas, também afetam nossas crianças, principalmente as nossas crianças.
Impedidas de sair de casa, de brincar na praça, de ir a escola,
elas são adaptadas de maneira forçada a uma nova rotina.

De uma maneira equivocada, boa parte dessas crianças estão sendo forçadas a impor na sua nova rotina, um calendário escolar.
As aulas Online, ou a distância como preferirem.
Que ao ver da psicologia, é totalmente ineficaz e mais prejudica do que trás benefícios.
Os pais, não são preparados pedagogicamente para lhe dar com essa situação, e ensinar os pequenos.
Uma coisa é ter que ajudar na lição de casa, outra bem diferente é que de uma hora para outra, nos tornemos professoras de nossos filhos e filhas.
A rotina é estressante, tanto para nós, que buscamos a perfeição no primeiro teste, quanto para eles, que estão em busca de conhecimento.

Todos que trabalham neste processo de ensino a distância, sabem que ou pelo menos deveriam saber, o ensino não será o mesmo em sala de aula.
Por isso não se deve exigir, nem passar inúmeras tarefas que seriam impossíveis de serem concretizadas em casa.
Além do mais, muitos pais trabalham ainda que isolados, o Home Office.
Nós, precisamos compreender que apesar de querermos a perfeição em cada coisa que fazem nossos filhos,
esta leva um certo tempo para ser alcançada.
Tudo é muito novo e a maior parte dessas crianças, em fase inicial de educação básica, não tiveram muito preparo.
Não foram a outras escolas e agora, que estão tendo contato com letras.
Não é de admirar que umas, mais que as outras, sintam dificuldade, tenham falta de atenção.
Mesmo porque, ambiente de casa, sempre será ambiente de casa.
Ainda que penduremos papéis de lições e lousas na parede, elas continuarão em casa e assim se sentirão.
Deste modo, a atenção é diferenciada, e qualquer outra coisa as distrairiam.
Quase tão normal quanto, você ler um livro e de repente se distrair com o barulho de um caminhão vendendo gás, passando na rua,
ou o celular vibrando avisando que chegou uma nova mensagem.

Conteúdo Publicitário:
Algartelecom Sempre juntos.

O melhor caminho nesses períodos, por mais que pareça impossível, é a paciência.
Uma virtude necessária para que ajudemos nossos pequenos, a passar por este desafio.
Se viver em isolamento é desafiador para adultos, que dirá as nossas crianças.
Pode não parecer, mas elas são as mais carentes e afetadas, neste processo.

Temos que ter a compreensão e discernimento para saber, que cada criança é única,
que cada uma vai aprender no seu tempo e a seu modo,
e que nem uma vai sair logo de cara, escrevendo um livro.
É um processo longo, trabalhoso, que é preciso ser feito com carinho e amor, para que possa dar certo,
e para que também seja o menos traumático possível.

Dra. Veronica Werner
Psiquiatra e psicoterapeuta infantil

Conteúdo Publicitário:
Café L’or O padrão ouro em sabor do café.